Estamos sempre em busca de atalhos:
- Dieta de 7 dias;
- Aplicativo que promete foco instantâneo;
- Curso “transforme sua vida em 1 semana”.
Vivemos como se existisse um “fast food” para cada problema emocional.
Essa pressa cria um paradoxo:
Querer intensamente, mas pular etapas e processos.
Desejar relações profundas, mas evitar o tempo do encontro e paciência do início.
Buscar sentido, mas se perder em fórmulas rápidas de autoajuda.
A soma dos atalhos e paradoxos resulta em uma anestesia coletiva.
Em vez de:
Lidar com o desconforto, se interrompe o processo.
Elaborar, simplificamos e mantemos a superficialidade
Sentir, terceiriza a responsabilidade.
Isso explica porque tanta gente está exausta, mesmo cercada de “soluções”.
Não há fuga para o resultado e não entender, faz entrar numa espiral de soluções milagrosas.
Para a psicologia, o processo de mudança exige tempo.
Memórias precisam ser reelaboradas.
Emoções precisam ser sentidas e simbolizadas.
Quanto mais buscamos atalhos para fugir do desconforto, mais a vida nos devolve esse desconforto em sintomas, crises e repetições.
O silêncio da elaboração nunca pode ser substituído por uma pressa coletiva.
Os Estados Unidos se tornou o país que mais consome medicamentos ansiolíticos e antidepressivos. Porém, o Brasil aparece logo em seguida, refletindo essa mesma lógica importada: medicalizar o sofrimento, em vez de compreendê-lo. A cultura das soluções rápidas molda o mundo e resulta na forma como lidamos com corpo, mente e relações.
Precisamos dar espaço para perguntas.
Permitir o tempo da elaboração.
Acolher a singularidade da experiência.
Nenhuma solução rápida otimizará o tempo de maturação das experiências.
“O que não for integrado, voltará como destino.” C. G. Jung
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